Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2019-2023

1 – A proposta central das novas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil é evangelizar no Brasil atual marcado pela cultura urbana, anunciando a Palavra de Deus e formando discípulos de Jesus Cristo em comunidades eclesiais missionárias, dentro da evangélica opção preferencial pelos pobres e no cuidado com a Casa Comum, testemunhando o Reino de Deus, que começa na história e será pleno na eternidade de Deus uno e trino.

2 – As DGAE 2019-2023, em continuidade com as anteriores, propõem a evangelização da cultura urbana a partir de pequenas e diversificadas comunidades eclesiais missionárias, exemplificadas com a imagem da casa edificada sobre quatro pilares: Palavra, Pão, Caridade e Ação Missionária, inspiradas nas comunidades dos Atos dos Apóstolos (At 2,42-47). Estes quatro pilares aglutinam as anteriores urgências da ação evangelizadora. A Igreja deve ser uma casa acolhedora para os que chegam e uma casa de portas abertas para a saída missionária. Trata-se de espaço vital missionário. A Palavra deve formar e animar a comunidade, propiciando a iniciação à vida cristã. O Pão expressa a liturgia e a espiritualidade, que santificam as pessoas e as comunidades, cultivando a comunhão com Deus e com os irmãos. A Caridade leva à promoção e à defesa da vida em todos os sentidos, conforme a palavra de Jesus (Jo 10,10). A ação missionária destaca o estado permanente de missão e se expressa nas iniciativas concretas de ir ao encontro dos outros nesse mundo urbano plural, marcado por grande riqueza tecnológica, abundância de informações e possibilidades, injustiças sociais, solidão e profunda sede de Deus. As pessoas precisam ser acolhidas, a comunidade deve ser testemunha do Reino e apontar para a transformação da sociedade.

3 – O mundo urbano de que se fala não é uma realidade geográfica que distingue cidade e campo, mas uma mentalidade presente em ambos. É preciso perceber a presença de Deus nessa nova realidade e anunciar Jesus Cristo, missionário do Pai, e o Reino que ele inaugurou com a sua encarnação, vida, paixão, morte e ressurreição. As comunidades eclesiais missionárias devem ser embaixadoras da misericórdia de Deus nesse mundo, como sal, luz, fermento, como fala o Evangelho (Mt 5,13-14; Mt 13,31-33). Num contexto de individualismo, as comunidades eclesiais missionárias têm um significado profético e concretizam a conversão pastoral de que se fala desde a Conferência de Aparecida. É preciso acolher, contemplar, discernir e iluminar com a Palavra de Deus a cultura urbana.

4 – O convite é para que vivamos verdadeira conversão pastoral com abertura para vários tipos de comunidades eclesiais missionárias fundadas nos quatro pilares, Palavra, Pão, Caridade e Ação Missionária, possibilitando ampla capilaridade no mundo urbano atual para o anúncio do Evangelho de Jesus Cristo, sem proselitismo, em diálogo com a cultura urbana plural e oferecendo autêntico testemunho cristão.

5 –Comunidade e missão são inseparáveis. A meta é formar comunidades eclesiais missionárias, evangelizadoras no mundo urbano atual, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres e no cuidado com a Casa Comum, propagadoras do humanismo integral aberto à graça de Deus.

Cônego Lauro Sérgio Versiani Barbosa

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