Conego Vidigal

As oito bem-aventuranças

As Bem-aventuranças são o retrato falado daqueles que já gozam da visão beatífica (Mt 5,1-12). Proclamadas por Cristo, trazem à tona o que se acha os salmos. São passagens do Antigo Testamento que também mostram quem são os santos. O primeiro salmo apregoa: “Bem-aventurado o homem que se compraz na lei do Senhor” (Sl 1,1). O salmo 111 nos diz: “Bem-aventurado aquele que teme o Senhor e ama inteiramente sua vontade” (Sl 111,l). No salmo 36 está escrito: “Os mansos possuirão a terra e gozarão de uma abundante paz” (Sl 36,11). O salmo 106 afirma que Deus cumula de bens os que têm fome (Sl 106,9). Assim começa o salmo 118: Bem-aventurados os homens íntegros em seus caminhos, os que marcham seguindo a lei do Senhor. Felizes os que guardam suas exigências, eles O procuram de todo coração” (Sl 118, 1-2). Jesus convida então a todos a receber estas mensagens do Salmista, especificando, porém, para seus seguidores quem são aqueles que, de fato são bem-aventurados, pois nunca se separam do amor de Deus e do próximo. O seguidor de Cristo deve possuir pobreza de coração, ou seja, o desapego das coisas materiais e ter muita mansidão dentro de si. É preciso que chore pelos pecados cometidos e lamente as misérias morais que campeiam mundo afora. Cumpre ainda, seja misericordioso e tenha fome e sede de justiça para viver integralmente a pureza de mente e de corpo. É necessário que passe pela perseguição por causa de Cristo, jamais cedendo ao erro, seja ele qual for. Além disto, quem é destinado ao céu deve construir nesta terra a paz para si, para os outros, afim de que tenha paz com Deus. É deste modo que os cristãos podem se tornar santos, isto é, não pessoas perfeitas, porque somente Deus é perfeito, mas são fiéis que se esforçam por seguir o roteiro da felicidade que Jesus traçou nas oito Bem-aventuranças. Trata-se de procurar sempre se ajustar à vontade de Deus, vivendo em tudo as promessas batismais, renunciando sempre a satanás e a qualquer pecado. Como explica o Catecismo da Igreja Católica, as Bem-aventuranças traçam a imagem de Cristo, exprimindo a vocação do cristão ligado à glória da Paixão e Ressurreição do Redentor. Aqueles que já se acham lá no céu iluminaram nesta terra suas ações e atitudes, deixando exemplos magníficos. Nas sendas das Bem-aventuranças se viram sustentados nas tribulações, vivificados pela esperança da recompensa eterna. Quem os imita neste mundo já alcançam nesta vida a felicidade que Deus colocou no coração do ser humano. Isto porque a santidade deve ser a característica do cristão, dado que este precisa acolher a Cristo, deixando-o sempre. agir nele. É certo que na Casa do Pai há muitos que foram até grandes pecadores como São Dimas, Santo Agostinho, Santa Margarida de Cortona, mas eles se arrependeram sinceramente de suas faltas, de seus desvios, se converteram e receberam o perdão de Deus. Procuraram reparar os erros cometidos, sendo depois leais perante o Senhor Onipotente. Acreditaram no poder purificador do sangue de Jesus e foram por ele lavados. Imenso cortejo de todos que, embora tenham trilhado caminhos tortuosos, reconheceram seus erros e mudaram de vida.  Glorificamos também na solenidade de hoje tantos parentes e amigos que já se acham junto de Deus e são agora nossos intercessores e nos aguardam para uma ventura sem fim. Eles souberam degustar já na terra o gozo do céu, correspondendo às graças que Deus nunca nega a quem O teme e ama. Estão eles a nos recordar a necessidade de que Jesus seja, realmente, a verdade da vida de cada um. Assim esta festa que estamos celebrando é um convite a mais para a renúncia a si mesmo, às falsas seguranças que o mundo oferece, ao rompimento com todas as falsas doutrinas veiculadas pelos meios de comunicação social, as quais entravam as exigências do Evangelho. Coragem para romper a rede do egoísmo e do individualismo que limitam a participação ativa no crescimento da comunidade na qual se vive. Abandono de tudo que anula o espírito das Bem-aventuranças, pois na outra margem da vida Jesus está à espera de todos que andaram no caminho da santidade.

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho
Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

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