Junho do Coração de Jesus

A Igreja celebra neste mês de junho a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus. Uma festa bonita que recorda a todos o amor do Senhor pela humanidade. Assim suplicamos na oração desta festa: “Concedei, ó Deus todo-poderoso, que, alegrando-nos pela solenidade do Coração do vosso Filho, meditemos as maravilhas de seu amor e possamos receber, desta fonte de vida, uma torrente de graças.”

Diz o evangelista João que “a Deus ninguém nunca viu” (1,18). Porém, o Filho nos revela o Pai e nos dá a conhecer o seu plano de salvação. Também o amor ninguém nunca viu. Aliás, é o próprio João quem vai dizer que “Deus é amor” (1Jo 4,16). Contudo, assim como o Filho nos revela o Pai, também revela o verdadeiro amor. Por isso, a oração da festa do Coração de Jesus nos convida a meditar sobre as “maravilhas do seu amor”. Mas quais seriam estas maravilhas? Penso em algumas que gostaria de partilhar.

1 – A maravilha da encarnação. Celebrar o Coração de Jesus é celebrar a encarnação do verbo. O verbo se fez carne. O amor de Jesus é um amor que se concretiza no chão da história, dos acontecimentos, que se encarna em nosso meio. Quem ama deseja estar próximo do amado ou da amada. Deus, amando o ser humano, em Jesus Cristo se aproxima de cada um de nós. Faz sua morada em meio a nossa morada. É a experiência da Kenosis, quer dizer, do esvaziamento. Aqui está o centro dessa maravilha: esvaziou-se de si, de sua condição divina, para se encher do humano.

2 – A maravilha do seu jeito de ser. Talvez não seja tão difícil aceitar que Deus tenha assumido a condição humana. Dificuldade maior está em aceitar que Deus tenha assumido e vivido essa condição na pobreza, na simplicidade e na humildade. Para muitos, o escândalo não é que Deus tenha se tornado ser humano e sim que ele tenha se tornado pobre, sem regalias, sem chamar atenção para si, vivendo grande parte de sua vida no anonimato, numa pequenina cidade da galilélia, periferia do mundo judaico, terra de gente pobre, que não fala direito, que não tem direito, que é explorado e oprimido. Com certeza, se Jesus nascesse em “berço esplêndido”, filho de uma grande rainha, fosse educado como um príncipe não haveria escândalo algum.

3 – A maravilha do servir. O discípulo amado revela em seu evangelho a fonte do amor: o serviço. Nele, ao invés de definir o que é o amor, simplesmente narra o amor. A última ceia é a fonte do amor de Jesus e seus frutos são a Eucaristia e o Sacerdócio, instituídos para o serviço à humanidade. A eucaristia serve ao mundo como alimento e o sacerdote serve o alimento ao mundo. Deve ser por isso que São João Maria Vianney afirmou: “O sacerdócio é o amor do coração de Jesus”. Um amor que não faz dele um privilegiado, mas um servidor.

4 – A maravilha da Cruz. Eis a prova maior: dar a vida pelos outros. A cruz se torna maravilha porque é assumida por Jesus como uma etapa da sua vida. “Tendo amado os que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1). Aqui, “amar até o fim” não significa apenas que Ele nos amou até o fim de sua vida terrestre. Mas que ele nos amou em plenitude, totalmente, até o máximo possível que se pode amar. Enquanto muitos esperavam um gesto ou uma atitude extraordinária como prova de amor, simplesmente deixou-nos a cruz: loucura para uns, insensatez para outros, amor para nós.

Neste mês do Coração de Jesus façamos a experiência de meditar estas maravilhas e penetrar no mistério profundo desse coração. Ninguém será discípulo verdadeiro se antes não sentir e habitar esse coração. Mais do que isso: ninguém será discípulo se não assemelhar o seu coração ao coração do mestre, bom pastor que dá a vida por amor.

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