O que faremos diante da Crise?

Dom Walter Jorge

Diante das grandes crises, a humanidade pode se tornar melhor ou simplesmente não aprender nada e continuar seguindo em frente, sem acertar o rumo. A História mostra que países submetidos a grandes sofrimentos, como o Japão e a Alemanha durante a Segunda Grande Guerra, saíram melhores do que eram, mais humanos e mais desenvolvidos, porque aprenderam com seus próprios sofrimentos.

Imagem Divulgação.

 

Estamos passando por uma das grandes crises da humanidade com a Covid-19. Difícil ainda saber como estaremos quando tudo terminar, embora muitos já se arrisquem a fazer prognósticos para o futuro. Quero aqui abordar um pouco do que podemos fazer enquanto estamos vivenciando a mesma.

Uma atitude possível é fingir que nada de sério está acontecendo e ir tocando a vida, fazendo de conta que não vai nos atingir. É uma atitude possível, mas bastante arriscada, pois, para quem não se prepara para a guerra, quando ela chega, a derrota se torna inevitável. E há derrotas que são amargas demais….

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Outra atitude é se preparar, trabalhando em diversas frentes. Uma delas é fortalecer-se espiritualmente para enfrentar o sofrimento e saber interpretá-lo, ainda que seja sempre muito difícil. Quem tem uma espiritualidade forte consegue harmonizar o sofrimento em sua vida, sem deixar que o desespero tome conta de sua alma. Não deixa de sofrer, mas está mais preparado para os seus impactos e consegue crescer como ser humano, saindo mais forte.

Outra frente é a das atitudes práticas. Seguir as recomendações sanitárias é sem dúvida uma delas. Não se pode, diante de uma doença como esta, com grau bastante elevado de contágio e de mortalidade, ter atitudes infantis, afirmando que não chegará até nós e que há exageros na recomendação dos cuidados e, simplesmente, ignorá-los. Pelo contrário, tomar certas precauções, como o uso de máscaras, evitar proximidade e aglomerações, são atitudes corretas, consciente.

Ação Social. Foto arquivo Diocese de União da Vitória.

Há também aquelas atitudes no campo social. Ser solidário com os que estão sofrendo mais, não ficando indiferente à dor alheia, como se nada tivéssemos que ver com isso. Tal atitude terá grande importância, em especial quando a pandemia amenizar e a pobreza aumentar ainda mais, como tem nos alertado vários especialistas.

Finalizo frisando que será de suma importância a humanidade fazer uma avaliação profunda do seu modo de vida atual, frente a todo este acontecimento que nos atingiu, pois, se sairmos do mesmo modo, desperdiçaremos a chance de corrigir erros graves.

O Brasil precisa avaliar a distribuição da sua renda, pois com esta crise ficou ainda mais claro ser algo inaceitável admitir que milhões de pessoas continuem vivendo em condições miseráveis. É desumano para os que vivem assim e adoece o país inteiro, de diversas maneiras.  É preciso redistribuir a renda, pois ninguém tem o direito de acumular fortunas incalculáveis, enquanto outros passam necessidade de tudo. É preciso, também, investir mais em educação de qualidade, a fim de que as chances sejam iguais para todos. É preciso querer e lutar, de verdade, por um Brasil bom e justo para todos.

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Que Deus nos dê sabedoria para que tudo o que estamos vivendo não entre para a História apenas como um tempo perdido entre dores e aflições.

Texto: Dom Walter Jorge, Bispo Diocesano
Publicação Jornal Estrela Matutina – Edição Maio/2020.
Postagem: Setor de Comunicação

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