Que toda Pastoral tenha uma perspectiva missionária

Uma igreja fechada em si mesma não favorece o amadurecimento da fé. Alimenta a busca de um Deus “Mágico”, que soluciona nossos problemas, enquanto o Deus revelado por Jesus nos convida a transformarmos a realidade pela vivência da solidariedade e da partilha. Alimenta, também, a imagem de um Deus que premia o bom e castiga o mal. Assim, muitas vezes, buscamos fazer o bem para termos Deus como nosso aliado. A motivação de nossas ações não é o outro, mas o nosso próprio bem e interesse. Falta-nos, assim, a leveza e a alegria que são marcas dos verdadeiros discípulos de Jesus.
A motivação para nossos trabalhos pastorais deve brotar do nosso coração, como uma resposta gratuita ao amor de Deus por nós. Não se trata de cumprir um “mandamento”, mas em descobrir e experienciar que somos “todos” filhos amados de Deus. O Deus, Pai e Mãe, revelado por Jesus.

A proposta evangélica não pode ser vivida como uma busca angustiada de salvação pessoal. O perfeccionismo nos aprisiona em nosso orgulho, num projeto fechado em nosso próprio esforço. Precisamos reconhecer que somos frágeis, limitados, pecadores, mas amados em nossa fragilidade. Somos pecadores amados. Não devemos pensar, entretanto, que, ao nos revelar o Deus Misericordioso, Jesus tenha adotado uma atitude complacente em relação ao pecado. Somos sabedores da radicalidade de suas posições, das exigências feitas a quem deseja caminhar com ele. Ao nos ensinar a chamar Deus de “Pai Nosso”, deixou claro que precisamos viver como irmãos. Sem contemplação, sem oração, a vida cristã é inconcebível. Mas sem solidariedade com os pobres também não há vida cristã. Eis, pois, duas dimensões que é preciso manter unidas.

Movidos por esta certeza, o grupo de animação missionária de nossa paróquia vem motivando as comunidades a fazerem a experiência das visitas missionárias (que já aconteceram nas comunidades Nossa Senhora Aparecida – Posses e São Francisco de Assis – Juquinha de Paula). Colocar os pés no caminho nos ajuda a conhecermos melhor a realidade, para melhor orientarmos nossas ações pastorais. Quando abrimos nosso coração para o encontro com o outro, abrimos espaço para que o Espírito Santo abra nossos olhos e ouvidos para não ficarmos indiferentes ao clamor por vida verdadeira que habita os corações humanos.

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