Solenidade do Corpo e do sangue de Cristo (Corpus Christi)

É uma solenidade celebrada na quinta-feira depois do domingo da Santíssima Trindade. Ela ressalta a presença real de Cristo no sacramento da Eucaristia e a adoração a esse mistério. Esta festa começou a ser celebrada em 1246 e se estendeu a toda a Igreja pelo papa Urbano IV em 1264. O rito prescreve que seja um dia celebrado com uma procissão onde sejam dadas bênçãos com a Sagrada Eucaristia como modo de testemunho público de fé e adoração. Há antes do evangelho do dia uma sequência que deve ser cantada de modo solene na missa do dia.

O termo Corpus Christi é um termo latino que como já sugere é traduzido por Corpo de Cristo. Trata-se então da festa em que dá enfoque a reverência e adoração ao corpo místico de Cristo, logo à eucaristia – seu corpo e sangue – que nos referimos como modo visível pelo qual Ele se apresenta a nós nos dias de hoje. Ao comungarmos, entramos em sintonia com esse corpo. A Constituição Dogmática intitulada Lumen Gentium (Luz das Nações) elaborada no coração do Concílio Vaticano II, atesta sobre essa comunhão. “Participando realmente do corpo do Senhor na fração do pão eucarístico, somos elevados à comunhão com Ele e entre nós” (LG, 13).

São João Damasceno considera que ao sermos perguntados de que modo o pão se converte em corpo de Cristo e como o vinho se transforma em sangue, cabe a nós respondermos que o Espírito Santo é quem irrompe e realiza aquilo que nos parece ultrapassar toda palavra e pensamento. E isso se dá pelo mesmo modo com que o Espírito Santo realizou no seio virginal de Maria a encarnação do Verbo.

Como Igreja de Cristo e membros vivos de seu corpo sendo Ele o membro por excelência a cabeça, somos chamados a celebrarmos nesse dia a nossa feliz participação em seu corpo que nos regenera para Deus. Afirmará ainda a LG sobre esse modo de se reconhecer como Igreja: “Peregrinando ainda na terra, palmilhando em Seus vestígios na tribulação e na perseguição, associamo-nos às Suas dores como o corpo à Cabeça, para que padecendo com Ele, sejamos com Ele também glorificado (cf. Rom 8,17). D’Ele todo o corpo, alimentado e ligado pelas juntas e ligaduras, aumenta no crescimento dado por Deus (Col 2, 19).” (LG, 13). Portanto, Jesus Cristo é o membro que dá vida a todos os outros membros; Ele é “O Pão da Vida dado a nós” (cf. Jo 6).

O Catecismo da Igreja chama a Eucristia de penhor da glória eterna. Numa presença ainda velada, ela nos prepara para um dia contemplar o corpo de Cristo de modo ainda mais pleno: “A Igreja sabe que, desde agora, o Senhor vem em sua Eucaristia, e que ali Ele está, no meio de nós. Contudo, esta presença é velada. Por isso, celebramos a Eucaristia expectantes beatam spem et adventum Salvatoris nostri Jesu Christi – aguardando a bem aventurada esperança e a vinda de nosso Salvador Jesus Cristo, pedindo saciar-nos eternamente da vossa glória, quando enxugardes toda lágrima dos nossos olhos.” (CIC 1404).

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