Tempo quaresmal: tempo de graças!

João Ciro Santana e Paula Batalha Santana
(Coordenação Pastoral Familiar – fev/2021)


Quaresma, tempo da Igreja que nos ajuda a aperfeiçoar nossa face divina. Deus, que é Pai, criou-nos à sua imagem e semelhança; mas nós diminuímos a semelhança pela prática do pecado, nos afastando d’Ele. O tempo quaresmal é para nós graça divina; Deus, em seu infinito amor, está sempre querendo nos resgatar da nossa vida de pecado.

Neste ano, o tempo da quaresma se cruza com tempo da pandemia! A pandemia ceifou vidas de filhos de Deus; vidas que poderiam estar sendo salvas, se mantivéssemos nossa semelhança com Deus e nosso amor ao próximo. Nesta pandemia assistimos à banalização da vida, um dom de Deus, um tesouro. Quantas famílias enlutadas, sofrendo, por negligências, por desgovernos. Por falta de amor à vida, ao próximo! Há dirigentes que não cumprem a função para a qual foram eleitos. Há cidadãos que desprezam os protocolos de saúde em tempo de pandemia. Vivemos um tempo de dor, de mortes e de pecado!

Mas não é esse o plano de Deus para seus filhos. Deus nos quer vivos e felizes, deixemo-nos resgatar neste tempo quaresmal. O Evangelho de São Mateus (capítulo 6, versículos 1 a 6 e 16 a 18) nos ajuda a viver este bonito tempo quaresmal. Ele nos fala de três práticas cristãs: dar esmola, fazer orações e jejuar.

Dar esmola é uma atitude de amor ao próximo, de compaixão e nos torna menos egoístas, menos avarentos. Nesta prática aprendemos a amar ao próximo; o que falta a alguém pode estar sobrando na nossa casa. A esmola, no entanto, não se restringe a doar o que nos sobra ou o que não nos faz falta; muito menos, o que queremos descartar de qualquer forma… a esmola cristã é a justiça que se faz doando com amor o que falta ao outro. Na pandemia, quantas pessoas sofrem e esperam por justiça social; uma boa prática seria fortalecer movimentos sociais nas suas reivindicações: direito à alimentação, à moradia, ao saneamento básico, à vacina… Os governantes, os líderes políticos e empresariais, por si mesmos, dificilmente, atenderão às necessidades e direitos dos mais necessitados. Promover a justiça social é dever de todo cristão.

A oração, por sua vez, nos coloca em diálogo com Deus. A oração é um poder que Deus nos concede, podemos falar com Ele, o amigo celestial que nos ouve. A oração é uma força que nos une sempre mais ao Pai Criador, ela nos afasta do pecado. Quem reza diariamente não se deixa atrair pela perversão do pecado. Em tempo de pandemia, rezemos pelos governantes e pelo povo que sofre no mundo inteiro. A oração nos fortalece, nos coloca em sintonia com Deus e com os irmãos. Se Jesus orava a Deus Pai, quanto mais nós pecadores devemos ter essa prática cristã: a oração é graça, é benção; ela tem poder e transforma!

O jejum é uma atitude contra a gula, nos ajuda a conter as vontades impensadas, rebeldes e egoístas. O jejum nos ajuda a pensar no irmão que passa fome, nos ajuda a repartir o pão. Repartir o pão nos iguala mais a Jesus que o fez na última ceia e, depois de ressuscitado, o repetiu quando reaparece a seus discípulos. Nesta cena bíblica, os discípulos reconhecem Jesus justamente quando Ele parte e reparte o pão. Alimentar a quem tem fome é atitude cristã, agrada a Deus que ama infinitamente seus filhos.

Fortaleçamos nossa semelhança com Deus Pai criador, neste bonito tempo quaresmal: cuidando dos que precisam do nosso cuidado; conversando com Deus por meio da oração; e jejuando para fortalecer nosso espírito fraternal.

Citando Pe. Zezinho: vamos “viver como Jesus viveu; amar como Jesus amou”!

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