Escutar como Jesus: um grande desafio!

É tempo de escutar! O Papa Francisco, atendendo ao anseio do seu próprio coração que escuta Deus, propõe a toda Igreja o Sínodo sobre a Sinodalidade. Ele quer, assim, fazer a Igreja pensar na sua missão de caminhar juntos, tendo como primeiro passo desta tarefa, o de ESCUTAR. Escutar com o próprio coração o que está no coração dos outros.
Podemos conhecer muitos mestres da escuta, porém ninguém como o maior escutador, que é Jesus.
Diz-nos um poeta que “quem mergulha na água, precisa ficar de boca fechada”. Também para entrarmos no mistério do outro é preciso fechar a nossa boca e abrir os nossos ouvidos.
Jesus, mesmo sabendo de tudo a respeito de todos, inclina-se diante da samaritana para escutá-la; escuta o filho pródigo que volta à casa depois de tantas aventuras mau sucedidas, escuta os discípulos diante da multidão faminta; escuta os companheiros frustrados, de Emaús. Estas são apenas algumas escutas, diante de outras tantas realizadas ao longo da vida de Jesus.
O que era tão natural para Jesus, a nós é muito desafiador. Às vezes, antes que o outro acabe de falar, já começamos a responder, mesmo sem ter nos dirigido qualquer pergunta. E quer mais? Enquanto o outro ainda fala, fingimos que escutamos, mas na verdade, estamos mesmo é articulando a nossa reação.
É conhecido o dito popular: “Deus nos deu dois ouvidos e uma boca só” Certamente, para escutarmos mais e falar menos. Estamos longe desta prática. É mais fácil e mais verdadeiro afirmar que estamos perdendo cada vez mais a capacidade de escutar.
Falar mais que escutar tem sido a tentação na qual muitas vezes estamos caindo.
Escutar não pode ser uma ação involuntária, como escutamos murmurinhos de grupos quando passamos por perto, mas escutar deve ser uma ação ativamente programada e que dependa do nosso querer e da nossa atenção.
O papa Francisco quer nos dizer alguma coisa, a Igreja quer nos dizer alguma coisa, mas antes quer nos ouvir e quer que ouçamos o povo de Deus. Sejamos os seus colaboradores por uma Igreja realmente sinodal, de comunhão, participação e missão.

Ressurreição de Cristo: a verdadeira partilha

A Quaresma é um tempo favorável de renovação pessoal e comunitária e que nos conduz à Páscoa de Jesus Cristo morto e ressuscitado, assim nos recorda o Papa Francisco, em sua mensagem para o Tempo Quaresmal deste ano. O Santo Padre retoma o texto da exortação de São Paulo aos Gálatas: “Não nos cansemos de fazer o bem; porque, a seu tempo colheremos, se não tivermos esmorecido.” (Gal 6, 9-10).

Esse tempo propício é também a nossa vida, nossa inteira existência terrena, muitas vezes tomada pela ganância e pela soberba, pelo anseio de possuir e acumular. Nessas ocasiões, precisamos recordar o sentido profundo da conversão e da mudança de mentalidade, acreditando que há sempre mais valor em partilhar do que guardar para si.

A Ressurreição de Jesus Cristo também nos convida a uma verdadeira partilha. A partilha da esperança, da vida nova, do amor aos irmãos e irmãs, sobretudo, aos que mais têm sofrido as consequências e mazelas de um mundo ferido pelo pecado da corrupção, da injustiça, do desejo de poder e da guerra.

Já em 1963, em sua Carta Encíclica Pacem in Terris, o Papa João XXIII escreveu sobre o profundo anseio de toda a humanidade: a consolidação da paz na terra. Mas que tipo de paz nós queremos? “É aquela fundada na verdade, construída segundo a justiça, alimentada e consumada na caridade, realizada sob os auspícios da liberdade”. Essa é a paz que vem do Cristo Ressuscitado! É o verdadeiro desejo do coração humano. É o que realmente nos dá a certeza de que, de fato, Ele ressuscitou e vive entre nós.

Por isso, não nos cansemos de fazer o bem, com os olhos fixos em Jesus! A ressurreição de Cristo anima nossas esperanças e nos conduz ao germe da salvação: somos filhos(as) muito amados(as) do Senhor. Por isso, neste Tempo Pascal, como nos pede o Papa Francisco, não nos cansemos de rezar e de extirpar o mal da nossa vida, recordando a cada dia a esperança que nos salva e nos liberta para uma vida nova. Que Maria Santíssima nos proteja e que o Espírito Santo, dom de Deus, nos revigore em cada momento! Aleluia!

Geovane Macedo da Costa

Catequista (Comunidade Fátima)