SEARA 2017: “Meu espírito exulta de alegria” (Lc 1, 47)

O ano de 2017 já é histórico. Como sabemos, marca os 100 anos da aparição de Nossa Senhora, aos três pastorzinhos em Fátima – Portugal, e também o grande “achado” em Aparecida, isto é, a imagem de Nossa Senhora no Rio Paraíba. Por isso, estamos vivendo um ano como nenhum outro, e, principalmente, abençoado por nossa mãezinha querida, a mãe de Deus e nossa.

No Seara 2017, em comunhão com toda a Igreja, o tema trabalhando foi escolhido e retirado do canto do Magnificat, em Lucas 1, 47, ou seja, “Meu espírito exulta de alegria”. Neste canto, e, especificamente, no versículo 47, podemos perceber com clareza que o sentimento de compaixão intensificado nas palavras de Jesus tem a sua origem no coração de Sua mãe. Maria reflete o sonho e a vontade de Deus de ser presente na vida de seu povo. Entrega, serviço, determinação e força marcam o sim de Maria.

Isabel reconheceu nela aquela que amou, antes de todos, o projeto de Deus. Somos convidados a viver a alegria de ter a presença de Deus em cada um de nós. A alegria que é fruto do Espírito Santo, a alegria que nos fortalece diante das tribulações da vida, a alegria que nos faz abraçar a nossa cruz e seguir a Jesus dando a Ele o nosso tudo. É assim que Santa Isabel define o que sentiu João Batista ainda em seu ventre: “Pois assim que a voz da tua saudação chegou aos meus ouvidos a criança estremeceu de alegria no meu seio” (Lc 1, 44) e é assim que Maria, ao entoar o seu canto ao Senhor, define o que sente o seu espírito: “meu espírito exulta de alegria, em Deus, meu Salvador” (Lc 1, 47).

Certamente, Maria chegou ofegante à casa de Isabel, pois ela foi às pressas a uma região montanhosa, de difícil caminhada, cheia de pensamentos, ainda meditando sobre tudo o que o anjo havia lhe dito. Maria saúda sua prima e recebe de volta uma saudação ainda mais forte “a mãe do meu Senhor”. É incrível como a sua simples presença traz alegria à criança ainda no ventre. É na verdade uma confirmação de Isabel a tudo o que o anjo havia dito à Maria. Então, ela se dá conta de que o Senhor realizou, verdadeiramente, maravilhas em sua vida. Maria já tinha certeza, mas veio a confirmação da boca de sua prima que o tempo da Graça havia chegado.

Também para nós, o tempo da graça é hoje. A existência do Seara, que acontece no período do carnaval, é uma das provas de que é possível viver segundo os desejos de Deus. Maria, por excelência, viveu tudo o que o Espírito Santo lhe conduziu a viver. Maria não desviou o caminho, nem para a direita nem para a esquerda. Maria foi obediente em tudo e, por isso, tudo o que ela viveu foi com alegria, mesmo nos momentos de sofrimento, pois ela sabia e acreditava nas promessas de Deus. O convite que fica para cada um de nós é para vivermos como Maria, na alegria, e dizer, mesmo quando todos ao nosso redor diriam o contrário, “Meu espírito exulta de alegria”.

Sérgio Antônio dos Santos

Coordenador do Seara 2017

Saia da fornalha como vitorioso

Nabucodonosor, rei da Babilônia, viveu aproximadamente 600 anos a.C. A Babilônia fazia parte da Mesopotâmia, hoje conhecida como Iraque.

Em seu reinado, Nabucodonosor, liderou um exército a fim de conquistar Jerusalém, e assim o fez. No livro de Daniel Capítulo 1 versículos 3 a 7, podemos observar que Daniel e, outros israelitas exilados, de famílias importantes, foram escolhidos para servirem ao rei. Dentre os escolhidos pelo rei, estavam: Daniel, Sidrac, Misac e Abdênago, esses três último, mais tarde seriam jogados em uma fornalha por desobedecerem a um decreto do rei.

Sidrac, Misac e Abdênago certamente não tinham uma vida fácil naquela época. É claro que para qualquer pessoa exilada a vida não é fácil, no entanto, para esses três era ainda pior, uma vez que eles não seguiam tudo que o rei Nabucodonosor ordenava, causado assim ira ao rei.

Nabucodonosor, em um ato de pura vaidade, manda construir uma estátua de ouro (acredito que essa estátua era dele próprio). Feito isso, o rei cria um decreto que ordena todas as pessoas a caírem de joelhos, adorando a esta estátua toda vez que ouvirem o som de uma corneta, flauta, cítara, harpa, saltério, gaita e outros instrumentos musicais.

Fato é que quase todas as pessoas obedeceram cegamente a este decreto, inclusive os israelitas que foram exilados pelo rei. Os que não adoraram, até onde eu sei, foram Sidrac, Misac e Abdênago. No capítulo 3 do livro de Daniel, não relata o que estava acontecendo com Daniel naquele momento, e se ele desobedeceu ao decreto ou não. No entanto, devido ao histórico de Daniel e sabendo que ele foi jogado na cova com os leões por desobediência ao rei, concluo que ele também não obedeceu ao decreto e que somente não estava no contexto deste relato.

É interessante ressaltar que a notícia dos três jovens não estarem adorando a estátua, chegou rapidamente ao conhecimento do rei. Isso aconteceu devido ao fato de que eles eram invejados, pois ocupavam um lugar importante junto ao rei, uma vez que foram escolhidos para ajudarem a administrar os negócios da Babilônia.

É claro que ao saber disso o rei ficou muito nervoso e cumpriu com o que o decreto dizia, ou seja, jogou os 3 jovens na fornalha ardente. O que aconteceu depois é que nos leva a refletir e pensar: “Como pode existir pessoas tão jovens de fé tão madura, fé incondicional?”. Esses jovens que pouco antes de serem atirados ao fogo, declaram: (Daniel 3,18) “Mesmo que isso não aconteça, fique Vossa majestade sabendo que nós não adoraremos o seu deus, nem adoraremos a estátua de outro construída por Vossa Majestade”. Eles estavam referindo ao fato de que mesmo jogados na fornalha se viessem a morrer, ou seja, se Deus não os libertassem, morreriam glorificando a Deus e exaltando o Seu nome. Jamais fariam o contrário, jamais trairiam ao Deus verdadeiro.

Penso que é muito fácil glorificar e adorar a Deus quando as coisas estão boas. Quando nada está errado, quando tudo está dando certo… Contudo, quando tudo está caindo, quando nada dá certo, ou ainda, quando somos jogados nas fornalhas da vida, é difícil fazer o que estes três jovens fizeram. Na verdade é um desafio e um ato de fé, amar, confiar e adorar a Deus mesmo quando tudo ao nosso redor está desmoronando. Quando olhamos ao redor e só o que vemos é chama.

O que estes três jovens nos ensinam é justamente isso. Mesmo com tudo contra, sermos capazes de amar e adorar a Deus, pois existe a certeza de que Ele é o primeiro a nos socorrer, ajudar e nos livrar do fogo.

O rei Nabucodonosor, não queria nem saber do que os três jovens estavam falando. Ele sem qualquer piedade os jogou na fornalha.

Eu ouso a dizer que antes mesmo de Sidrac, Misac e Abdênago chegarem à fornalha, já estava lá, esperando por eles o anjo de Deus. Este anjo, não permitiu que nenhum deles se quer queimasse um fio de cabelo. Durante o tempo que eles ficaram na fornalha, o anjo ficou junto deles; sempre protegendo.

Isso tudo me leva a crer que a fé de Sidrac, Misac e Abdênago era uma fé sem condição. Em contraposição, em nosso dia-a-dia, estamos acostumados a sempre querer algo em troca em tudo que fazemos. E com Deus fazemos a mesma coisa. A verdadeira fé está acima dos limites da razão, acima do ter ou não ter; ela é independente do que Deus possa fazer por nós nesta vida, pois Ele já nos deu o mais precioso: A Salvação! Nossa fé deve ser conforme o exemplo destes três jovens.

É importante observar também que Deus não nos livra da fornalha e sim nos livra na fornalha. Ou seja, não somos privados de provações na vida, e sim somos salvos. Arrisco a dizer, pois acredito nisso, que se tivermos uma fé tão viva quanto a daqueles jovens; quando entrarmos em uma fornalha sairemos dela sem nos queimar. Na verdade sairemos das fornalhas com glórias a contar, pois Deus sempre honra a nossa fé.

Por isso que os três jovens não eram consumidos pelo fogo. A fé os salvou. Deus enviou um anjo para protegê-los. Enquanto estavam na fornalha, junto com o anjo, nada acontecia com eles. Lá dentro eles adoravam a Deus e O glorificava, pois foram salvos, milagrosamente, das mãos do rei Nabucodonosor.

Concluo então que devemos entra na fornalha, anda pelo fogo, sem preocupação, pois Deus é fiel e não vai abandonar nenhum filho amado.