Movimentos realizam Marcha pelas Águas de Viçosa e contra o mineroduto

Ferrous pode prejudicar ainda mais o abastecimento de água na cidade de Viçosa

Na manhã deste sábado (26), mais de 100 pessoas marcharam pelas ruas de Viçosa para denunciar a passagem do mineroduto da Ferrous em cima dos córregos e nascentes do Ribeirão São Bartolomeu. Em caráter de denúncia, com gritos de ordem, faixas e cartazes, a marcha contou ainda com artistas promovendo intervenções entre a população e os movimentos, o que sensibilizou a todos trazendo à tona a necessidade de agir diante de tal injustiça.

O mineroduto, que ligará Congonhas-MG ao porto em Presidente Kennedy-ES, projeta sua passagem em importantes regiões de mananciais e pode atingir 31 nascentes do ribeirão São Bartolomeu na zona rural da cidade, impactando severamente o abastecimento de água.

Para Idelmino Silva, representante da Associação dos Moradores do Santa Clara, a marcha cumpriu seu objetivo em alertar a população sobre os perigos do mineroduto no abastecimento de água da cidade, “sabemos que Viçosa tem um preocupante sistema de abastecimento de água, operamos o Ribeirão São Bartolomeu no seu limite, constantemente nós dos bairros mais altos sofremos com a falta de água, não podemos permitir que um mineroduto de empresa estrangeira impacte nosso manancial e destrua nossas nascentes!”

A marcha que iniciou sua concentração às 7 horas na feira livre contou com ampla participação de crianças e adolescentes. Para Jean Carlos, do Levante Popular da Juventude, a juventude tem um papel incisivo nessa campanha “diante da anuência de nossos governantes, a juventude se coloca a frente desse processo, não podemos ser coniventes com um empreendimento que só vai deixar estragos para nossa cidade, enquanto o mineroduto não for cancelado, a juventude vai estar nas ruas, lutando por uma cidade mais justa e em defesa de nossas águas”.

Para Talita Vitorino, militante do Movimento dos Atingidos por Barrgens (MAB), o problema não se limita a Vicosa, “não será somente a cidade de Viçosa atingida, mas em todo o trajeto do mineroduto, a empresa vem violando direitos, causando angustias e inquietações nas pessoas, caso seja instalado, a única lembrança do empreendimento será um rastro de destruição social e ambiental” afirma. Talita ressalta ainda uma pergunta que não se cala diante do projeto, “para que este mineroduto? Para quem está sendo construído? O Estado dita um modelo de desenvolvimento atrasado, baseado na exportação de matérias primas ao qual só beneficia as grandes empresas privadas, deixando para o povo somente o ônus do projeto com grandes destruições sociais e ambientais”.

Estavam juntos na marcha diversas organizações como a comissão de atingidos pelo mineroduto, a ASPUV, movimento estudantil da UFV, associações de bairros, paróquias, vereadores e muitos estudantes das escolas públicas da cidade. Ao serem perguntados se queriam água ou mineroduto a decisão do povo era clara, água é o que se escutava em bom tom.

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