Nossa prioridade

A 26ª Assembleia de Pastoral da Arquidiocese, realizada no mês passado, confirmou a juventude como prioridade pastoral a ser trabalhada em toda a Arquidiocese em 2019. Há, pelo menos, três acontecimentos que servirão de base para a implementação dessa prioridade: o Sínodo sobre a juventude, realizado em Roma no último mês de outubro, o 4º Congresso Vocacional do Brasil, agendado para setembro de 2019, e a celebração dos 40 anos de Puebla, a IV Conferência do Episcopado Latino-americano que acrescentou à opção preferencial pelos pobres e opção pelos jovens.

No ano da misericórdia (2016), nossa arquidiocese celebrou o jubileu da juventude com 8 mil jovens na Arena Mariana, em Mariana. Nessa ocasião, lançou o Projeto Arquidiocesano de Evangelização da Juventude (PAEJU), construído a muitas mãos, reunindo várias expressões juvenis. Esse projeto será o ponto de partida para a vivência da prioridade pastoral de 2019. Todas as instâncias deverão estudar o PAEJU e, a partir dele, estabelecer as linhas de ação para a evangelização dos jovens.

Vejo três desafios a serem superados nesse caminho. O primeiro é a compreensão de que todas as comunidades, pastorais, associações, movimentos e serviços eclesiais são chamados a assumir essa prioridade como sua, ou seja, não jogar no colo dos grupos de jovens essa responsabilidade como se o compromisso de evangelizar os jovens fosse exclusividade deles. A juventude é uma realidade transversal que deve perpassar toda a ação pastoral das várias instâncias eclesiais. Isso requererá planejamento, criatividade, ousadia e comprometimento.

O segundo desafio é a integração das diferentes expressões juvenis, no respeito à especificidade de cada uma delas. Integrar as várias juventudes não significa enquadrá-las num único formato de vivência e testemunho da fé, mas possibilitar que os jovens vivam o evangelho e se tornem agentes transformadores da sociedade segundo uma espiritualidade que traduza verdadeiro encontro com Jesus sem romper a comunhão que caracteriza a caminhada evangelizadora e pastoral de nossa arquidiocese.

O terceiro desafio é assumir o jovem como protagonista de sua história e da evangelização da juventude. Isso exigirá conversão, afinal, temos dificuldades de compreender os jovens, sua linguagem, sua maneira de expressar a fé, sua visão de Igreja, de mundo e de sociedade. Muitas vezes somos preconceituosos em relação aos jovens e os julgamos a partir de nossos critérios, desconfiando de suas capacidades.

Vencer esses desafios será inevitável para assumir a juventude como nossa prioridade pastoral.

Pe. Geraldo Martins 
Coordenador Arquidiocesano de Pastoral