Dia do Papa

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

De suma importância é a comemoração do Dia do Papa, neste ano festesjado na data de 30 de junho. Com efeito, como  recorda o Catecismo da Igreja Católica « o Papa, Bispo de Roma e sucessor de São Pedro, “é o perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade, quer dos Bispos, quer da multidão dos fiéis”. “Com efeito, o Pontífice Romano, em virtude de seu múnus de Vigário de Cristo e de Pastor de toda a Igreja, possui na Igreja poder pleno, supremo e universal”. “E ele pode exercer sempre livremente este seu poder” (§882). Atualmente, o Papa Francisco é o ducentésimo sexagésimo sexto Papa da Igreja Católica (266.º). O Papa é a garantia da transmissão autêntica da mensagem de Cristo e da unidade da Igreja. Seu papel é universal segundo os termos empregados por Cristo dirigidos a São Pedro: “Eu roguei por ti, a fim de que tua fé não desfaleça, e tu, uma vez convertido, confirma teus irmãos” (Lucas 22,32). O magistério do papa não é exercido sozinho, mas com o conjunto dos bispos, sucessores dos Apóstolos, cujo colégio ele preside. O Catecismo da Igreja Católica ensina que: “o colégio ou corpo episcopal não tem autoridade se nele não se considerar incluído, como chefe, o Romano Pontífice”.

Como tal, este colégio é “também ele detentor do poder supremo e pleno sobre a Igreja inteira”. Todavia, este poder não pode ser exercido senão com o consentimento do Romano Pontífice (§883). No dia a dia o Papa exerce seu ensinamento por discursos, cartas, homilias, audiências. De uma maneira mais solene, porém, nas encíclicas ou exortações apostólicas. Bem no estilo moderno de comunicação o Papa Francisco tem continuamente lançado mensagens objetivas, práticas, orientando sabiamente a conduta dos cristãos. Como sucessor de São Pedro ele merece da parte dos fiéis todo amor, toda veneração, todo respeito e total obediência. É o Vigário de Cristo nesta terra. Ao primeiro Papa Jesus entregou as chaves do reino dos céus e somente a Pedro ele disse: “Tudo que ligares na terra será ligado no céu e o que desligares na terra estará desligado no céu” (Mt 16,10). Pedro e seus sucessores têm uma posição de autoridade única na Igreja. No novo Testamento São Pedro é mencionado mais de cem vezes, sendo que o Apóstolo São João, o segundo mais mencionado, é citado somente 29 vezes. Isto é um fato importante que demonstra a superioridade petrina. Isto comprova que a Bíblia singularizou em inúmeras passagens o Apostolo Pedro que ocupava um lugar à parte entre os demais Apóstolos. Após sua ressurreição, clara prova de sua divindade, Jesus conferiu a Pedro o primado (Jo 21, 15-18). Cobrou dele um tríplice ato de amor e depois lhe deu esta ordem: “Apascenta os meus cordeiros, apascenta as minhas ovelhas”. Com estas palavras Cristo lhe entregava a universalidade de seu rebanho sem nenhuma exceção.

São Pedro e seus sucessores foram constituídos chefes supremo da Igreja a qual deveriam governar. Adite-se que São Pedro morreu em Roma como primeiro bispo desta cidade e no curso da História outros o sucederam. Assumiram a função de São Pedro como bispo de Roma e chefe de toda a Igreja. Inúmeros os Papas canonizados e entre eles recentemente São João XXIII, São Paulo VI, São João Paulo II. O primado espiritual de todos os papas, verdadeiros chefes da Igreja, sempre foi exercido conscientemente pelo bispo de Roma e isto não se deve nem à ambição, uma vez que todos eles só intentavam servir; nem à influência de Roma; nem à subserviência dos demais bispos, pois, muitas vezes, houve quem se rebelasse, mas a autoridade do Pontífice romano acabava sempre por ser reconhecida. Única é a razão, Roma é a “Igreja mãe que tem em suas mãos o governo de todas as outras igrejas; o chefe do episcopado, donde parte a direção do governo; a cátedra principal, a cátedra única na qual, somente, todos conservam a unidade”, como muito bem se expressou o século XVIII Jacques-Bénigne Bossuet, bispo e teólogo francês. É de se notar que o historiador alemão Ludwig von Pastor, protestante desafiou a Igreja Católica a abrir seus arquivos secretos, visando desmoralizá-la O Papa Leão XIII franqueou estes arquivos e Ludwig von pastor passou anos trabalhando e produziu uma obra monumental em 40 volumes apresentando a História dos Papas desde a Renascença ate o final do século XVIII. O mais extraordinário é que ao finalizar sua obra ele se converteu ao catolicismo, convencido de que a Igreja Católica é uma obra divina. É que Jesus havia dito ao primeiro Papa: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16,16).

* Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

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