“Sermos Mães presentes como Maria…”

Entre os personagens próximos de Jesus, poucos são como Maria. Dela não se diz muita coisa nos evangelhos, mas o que se diz é surpreendente. Mãe, testemunha, seguidora, servidora, presente… Uma mulher fiel a Deus e capaz de ver mais além do cotidiano e estabelecido; uma mulher capaz de ver diferente. Onde outros viam uma loucura, Maria viu um horizonte; onde muitos tinham visto uma transgressão, ela intuiu a promessa de Deus; onde tantos teriam estremecido diante da proposta de Deus e teriam exigido mais provas, mais seguranças ou mais garantias, Maria exclamou: “faça-se”. Onde a lei era a referência e a condenação, ela foi capaz de cantar a grandeza do Deus que está com os mais simples e quebra as estruturas estabelecidas; onde tudo era convencional, Maria, com uma acolhida feita de valentia, confiança e entrega, foi capaz de colaborar com Deus de modo radical; onde todos viam o desenlace frustrante e triste de uma festa de casamento, ela “viu e antecipou a hora de seu Filho” … Porque estava sempre presente.

Somos mulheres, somos privilegiadas por gerar vidas, amamentar e ensinar os nossos filhos a darem osseus primeiros passos. A missão de uma mãe é muito valiosa! Amar aos filhos é o sentimento mais puro e real que o ser humano pode nutrir! Essa ligação de mãe e filho é profunda,sincera e absoluta. Na hora do grito e da dornós clamamospor nossas mães. É para as mães que os filhos geralmente dão o primeiro sorriso, expressando assim uma profunda união afetiva. Os ensinamentos das mães para os filhos acontecem durante toda a vida! Os filhos são sempre crianças que procuram o colo e a mãe acalma, escuta e aconselha…

No íntimo de todas as mães têm um só coração: o do filho!Assim, filhos e mães se dialogam por estarem unidos profundamente por laços afetivos, por existir o amor, centro de tudo, e, quem nos ensinou primeiro a amar foi o próprio Jesus. Ele foi o Filho encarnado da Virgem Maria. Ela exemplo de Mãe e de Esposa. Estamos no mês de Maria, a Ela rogamos por nossos filhos, pois aprendemos com nossas mães a devotarmo-nos e pedir a intercessão de Nossa senhora através da oração do terço. Desse modo, ensinamos os nossos filhos também a rezar o Santo Rosário, isso é amor incondicional!Afinal, ensinar os filhos a rezar e a trilhar os caminhos do Cristo deveser o papel de todas as mães! A missão que todas as mães não podem deixar de cumprir é a educação na fé de seus filhos. Cristo deve ser o centro, é para Ele e por Ele que criamos e educamos os nossos filhos.

Peçamos a Mãe de Fátima para que nos inspire a sermos as verdadeiras mães que nossos filhos precisam para solidificarem suas direções. Sejamos intercessoras dos nossos filhos em todos os momentos de suas vidas, pois assim também eles serão dos seus filhos e irmãos. A busca, o ensinar para “Ser” é muito mais gratificante do que o ensinar para o “Ter”. Os objetivos de nossas vidas são trilhados quando caminhamos de mãos dadas com Maria, Consoladora dos aflitos e protetora de todos nós. Ela ensinou e educou Jesus, por isso colheu os frutos.

Nesse mês de Maria, em que celebramos o Jubileu de Nossa Senhora de Fátima, seremos privilegiados por saborear o amor e contemplar as figuras de nossas mães. E, se elas já tiverem partido para junto do Pai, teremos a oportunidade de fazermos memória afetiva da presença delas em nossas vidas, pois tudo que a memória amou é eterno. Porque fomos e somos amados, cada vez mais devemos sentir o apelo para amar e servir a todos!

Nesse sentido, agradeçamos a Mãe de Fátima por ter concebido em nossos ventres maternais osnossos filhos! Que Ela nos ensine cada vez mais a sermos perseverantes na escuta da Palavra do seu filho Jesus Cristo para, assim, ajudarmos os nossos filhos a construir um futuro promissor de amor. O amor,a gratuidade, o companheirismo são primordiais para a solidificação do amor maternal.Porque estava presente a Deus, Maria fez-se presente nos momentos decisivos de seu Filho, bem como fez-se presente na vida das pessoas. Uma presença que faz a diferença: presença solidária, marcada pela atenção, prontidão e sensibilidade, próprias de uma mãe. A presença silenciosa, original e mobilizadora de Maria desvela e ativa também em nós uma presença inspiradora, ou seja, descentrar-nos para estar sintonizados com a realidade e suas carências. Que a atitude de Maria nos mobilize para encontrar outras vidas, outras histórias, outras situações; escutar relatos que trazem luz para nossa própria vida; ver a partir de um horizonte mais amplo, que ajuda a relativizar nossas pretensões absolutas e a compreender um pouco mais o valor daquilo que acontece ao nosso redor.

 

Helena Martins

Coordenadora Paroquial da Dimensão Catequética